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31.8.03

Ninguém é tão pobre que não tenha o que dar, ou tão rico que não tenha o que receber. Não é possível pensar em paz enquanto o mundo permanece dividido em dois grupos: os que dão e os que recebem. A verdadeira dignidade humana encontra-se tanto em dar quanto em receber. Isso se aplica não só aos indivíduos mas também às nações, culturas e comunidades religiosas. Uma verdadeira visão de paz testemunha uma reciprocidade contínua entre dar e receber. Não deixemos de perguntar a nós mesmos o que estamos recebendo daqueles a quem damos antes de fazê-lo, e nunca recebamos antes de perguntar o que devemos dar àqueles de quem recebemos. (Henri Nouwen)
Dar é muito importante: dar discernimento, esperança, coragem, conselho, apoio, dinheiro e, acima de tudo, dar-nos a nós mesmos. Sem dar não há fraternidade e irmandade. Mas receber é igualmente importante, porque ao fazê-lo revelamos aos doadores que eles têm algo a oferecer. Quando dizemos "obrigado, você me deu esperança; obrigado, você me deu uma razão para viver; obrigado, você permitiu que eu percebesse meu sonho", fazemos os doadores se conscientizarem de seus dons únicos e preciosos. Às vezes é apenas nos olhos dos que recebem que os doadores descobrem esses dons. (Henri Nouwen)

19.8.03

De: Pedro Riccioppo (16 anos, Rio de Janeiro/RJ) Para: Marcelo Pergunta: Olá Marcelo, parabéns a você e aos outros pelo Ventura, ficou muito perto da perfeição! Eu gostaria de saber se tem alguma relação entre "Do Lado de Dentro" e "Trocando em Miúdos" do Chico... o Chico diz "Trocando em miúdos pode ficar com as sobras de tudo que chamam lar... as marcas de amor nos nossos lençóis" e você diz "Eu que lavei os seus lençóis sujos de tantas outras paixões" e não só isso... eu percebi algumas outras pequenas possíveis correlações. Outra questão: Eu não lembrava de vocês citando "Deus" nos 2 álbuns anteriores e nesses você e o Rodrigo citam pelo menos em umas 3 canções. Pode soar um pouco sensacionalista da minha parte mas de repente dá pé... foi sem querer ou foi desejo de exprimir religiosidade mesmo? Obrigado por tudo o que vocês me proporcionam mesmo que incoscientemente! Vocês influenciam muito na minha vida e eu conheço outros casos também. Um grande abraço... Vejo vocês no Canecão, vou levar os 3 CD's pra vcs autografarem e alguns caquis pro "Ruivo" pra não parecer abusado! Oi Pedro. Não foi pensando no Chico Buarque. Assim como "Abre essa janela a primavera que entrar" não foi pensando em Adriana Calcanhoto "pela janela do carro, pela janela da sala...." nem Moça "e a banda diz, assim é que se faz" foi pensando em "chegou o general da banda oiê" do Ivan Lins... Eu acho que passei do ponto em citar o cara nas entrevistas e agora há uma espécie de garimpo nas minhas letras atrás de referências dele. Os arquétipos são poucos, os simbolismos não mudaram tanto dos anos 60 pra hoje e as coisas que nos remetem a sentimentos universais são mais antigas do que a nossa consciência tenta prever. Deus é um exemplo disso. Qual a melhor representação de plenitude, ou de último amparo, ou de compaixão... é Ele, não? Isso não sou eu quem diz. A história da humanidade carrega esses caras todos consigo há muito tempo. O próprio lençol não precisa estar manchado de sangue pra provar a virgindade da recém casada na noite de núpcias em algumas culturas? A gente acha que não sabe dessas coisas mas elas já vêm conosco, em algum lugar do subconsciente elas residem. Abraços e até o Canecão, Marcelo Los hermanos

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