27.5.04
É mais além, muito mais...
Artista: Lenine
Música: Mais Além
A leste das montanhas da nação Cherokee
Um índio na motocicleta cruza o deserto
Ao longe o cemitério onde dorme o pai,
Mas ele sabe que seu pai não está ali,
É mais além
(Mais além)
A linha que separa
O mar do céu de chumbo
A gaivota caça o peixe radioativo
O náufrago retém a última miragem
E morre como se continuasse vivo
É mais, é mais além
(Mais além)
Um pouco de exagero, não é nada demais
Um olho nas estrelas, outro olho aqui
O astrônomo lunático
Brincando com o sol
Descobre que a distância
É mais do que um cálculo
É mais, é mais, é mais além
(Mais além)
A lua metafísica na poça de lama,
Ponteiros que disparam
Ao contrário das horas
Hora de saber o que mudou em você,
Que olha no espelho e não vê ninguém
É mais, é mais, é mais, é mais além
(Mais além)
O homem sobre a areia como era no início
Roçando duas pedras, uma em cada mão
Descobre a fagulha
Que incendeia o paraíso
E imaginou que havia inventado Deus
É mais, é mais, é mais, é mais, é mais além
(Mais além)
além
[Do lat. ecce hinc, 'eis ali', poss.]
Adv.
1. Lá, acolá, lá ao longe:
Era noite!... A tormenta além rugia... (Castro Alves, Obra Completa, p. 176);
Aqui, o rio azul ao sol do estio; / Além, o monte, no horizonte suave. (Campos de Figueiredo, Imagem da Noite, p. 29).
2. Longe, bem longe:
Vou-me com ele, sem saber onde vamos. Além, espera-nos o Jordão. (Tristão da Cunha, Histórias do Bem e do Mal, p. 53.)
3. Mais adiante; mais à frente:
Não deram mais um passo além. Ultimara-se uma empresa deplorável. (Euclides da Cunha, Os Sertões, p. 219.)
4. V. afora (1):
O caçador por essa linha migratória além terá ensejo de fazer bom cinto. (Aquilino Ribeiro, Aldeia, p. 183.)[Antôn.: aquém.]
S. m.
5. O que vem depois da morte; o outro mundo; a eternidade, o desconhecido, o além-mundo, o além-túmulo; a ultravida: Que bom com um dia assim deixar a terra, / Ir-se da vida! e a um sol tão puro, / Buscar assim o Além que nos aterra! (Alberto de Oliveira, Poesias, 4ª série, p. 237);
Porventura estarei também algumas vezes / Nesses vagos aléns / que a esperam, chamam e levam? (Cecília Meireles, Obra Poética, p. 211).[Cf. alem, do v. alar.]
18.5.04
Relax..
Por não estarem distraídos
Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que por admiração se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles. Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria e peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles. Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque – a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras – e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração. Como eles admiravam estarem juntos!
Até que tudo se transformou em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que estava ali, no entanto. No entanto ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram. Foram então aprender que, se não estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já tocou os fios. Tudo, tudo por não estarem mais distraídos.
Lispector. Clarice. Para não esquecer.
Ahh os problemas...!
Trouble Lyrics
Davi Mateus
Trouble
Don't you see
That in your bed
I find no sleep
I confess you came because of me
Trouble get behind me now
Trouble let me be
Cold wet stone
Deep river bed
Once so clean and clear now runs red
You know to well
Was me that called you here
Trouble get behind me now
Trouble let me be
Oh sweet day
Leave me behind
I will never call on you
Until the day I die
Pray your mercy shine on me
Pray your mercy shine
Here I stand
Head bowed for thee
My empty heart begs you
Leave me be
But I confess
You know too well
That I have fallen
Pray your mercy give to me
Pray your mercy shine
Trouble thou
And trouble thee
Let your mercy shine
Cold wet stone
River deep and red
Your cold heart beats inside my head
You know too well
It was me that brought you here
Ohhh trouble get behind me now
Trouble let me be
I pray your mercy shine on me
Trouble let me be