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17.7.06

Graça ou Carma ??? 

O Bono nos ajudará com esta questão cabeluda :) Se o filme travar aperte o pause e espere baixar pelo menos 1/3 do filme. Mas não deixe de ouvir a musica. Ela é linda :) Tem um jeito de andar... Grace U2 Graça, ela assume a culpa Ela cobre a vergonha Remove a mancha Poderia ser o nome dela Graça, é o nome para uma menina Também é um pensamento que mudou o mundo E quando ela anda na rua Você pode ouvir os violinos Graça encontra bondade em tudo Graça, ela tem um jeito de andar Não como uma modelo nem como um bêbado Ela tem tempo para falar Ela viaja para fora do carma Ela viaja para fora do carma Quando ela vai trabalhar Você pode ouvir os violinos Graça encontra beleza em tudo Graça, ela carrega um mundo em seus quadris Não há taça de champanhe para seus lábios Não há giros ou pulos entre os dedos Ela carrega uma pérola em perfeitas condições O que antes era dor O que antes era atrito O que deixava uma marca Não fere mais Porque Graça cria a beleza A partir das coisas feias Graça acha beleza em tudo Graça acha bondade em tudo Assayas: Eu acho que estou começando a entender religião porque eu estou agindo e pensando como um pai. O que você acha disso? Bono: Eu acho que é normal. É a mente se transformando com conceitos de que Deus, que criou o universo, pode estar querendo companhia, um relacionamento de verdade. Mas o que me deixa ajoelhado é a diferença de graça e carma. Assayas: Eu nunca ouvi você falar disso Bono: Eu acredito que nós somos movidos pelo carma, mas um nos move pela Graça. Assayas: Eu não entendi Bono: A idéia de todas religiões é o carma. Sabe, o que você fala volta pra você, olho por olho, dente por dente, ou na física, toda ação causa uma reação. É muito claro para mim que o carma é o coração do universo. Eu tenho certeza absoluta disso. Mas aí surge uma idéia chamada Graça, em que mesmo com o tudo o que você planta, colherá desafia a razão e a lógica. O amor interrompe as conseqüências de suas ações, com o perdão, que no meu caso é algo muito bom, pois eu faço muitas besteiras. Assayas: Eu ficaria interessado em ouvir isso Bono: Isso é entre eu e Deus. Mas eu teria grandes problemas com carma se ele definisse meu julgamento. Estou me mantendo pela Graça. Creio estar livre, pois Jesus levou todos os meus pecados na cruz, porque eu sei quem eu sou e espero não depender da minha religiosidade. Entrevista Tirada do livro "Bono: In Conversation With Michka Assayas" Coloque algumas palavras chaves no google e saiba mais.

7.7.06

Vai Jiboiar ???? 

Jiboiar :

Acepções? verbo Regionalismo: Brasil. transitivo direto e intransitivo digerir uma refeição copiosa em repouso Ex.: Veja numa musica deliciosa "Flor" de Maria João e Lenine Ps: Se travar aperte o pause e esperei abaixar.


“Do It Again” and Again Jean :) 

“Do It Again” Quem já não teve diante de si um amigo(a) apaixonado(a)que se revolve em incertezas sem fim? Diz que não sabe se liga ou se não liga, se namora ou não namora, se casa ou se compra uma bicicleta... A situação é cômica: o “ser humano” sabe o que tem que fazer mas parece precisar de uma confirmação externa para tomar uma atitude. Nessas condições, o conselho mais simples (e digo simples porque ele parece ser sugerido pela própria pessoa que o pede) resolve. Assim, algo do tipo “se acredita, tenta” ou “se dá pé, namora” como que por um passe de mágica transforma aquele miserável sofredor em um exultante otimista. Pois é, assim é a vida: complexa e cheia de mistérios. Mas, as vezes, uma atitude simples e ativa promove a resolução de conflitos internos intermináveis. “Do It”, a música que abre o disco “InCité” de Lenine e de onde peguei emprestado as citações acima, faz uma espécie de coletânea dessas soluções simples e práticas do cotidiano: “Tá cansada, senta se acredita, tenta se tá frio, esquenta se tá fora, entra se pediu, agüenta.” Quando ouço esta canção fico logo pensando no contexto digamos sócio-lingüístico de onde elas se originaram. Para a primeira frase, por exemplo, imagino uma situação onde uma mulher faz uma visita a uma amiga e, logo ao chegar, vai se queixando: “_ Ai... como eu tô cansada! _ Se tá cansada, senta.” Ou então, uma criança que faz birra querendo voltar pra casa logo que chega a um lugar onde seus pais, depois de tanta insistência, a levaram. Imaginando esta situação no Estado originário de Lenine (Pernambuco), parece que consigo ver diante de mim a resposta da mãe aos caprichos do filho: “ _ Ôxe rapaz, cê não pediu pra vir? Agora agüenta!” Ok, talvez o leitor não compartilhe da mesma simpatia e afeto que tenho pelas diferenças lingüísticas – sobretudo por alguns sotaques... De qualquer maneira, o que desejo destacar é a genialidade com que o compositor conseguiu reunir todas essas pequenas soluções práticas da vida cotidiana numa letra que lembra um poema concreto pelo seu caráter minimalista: três palavras resumem o problema e a solução. Mas, a letra da canção não é apenas uma junção aleatória e sem sentido de ditos populares. Pois, soluções como essa última, “se pediu, agüenta”, a despeito de seu aspecto econômico, possui um caráter didático – sendo, não raramente, utilizada pelos pais na educação de seus filhos. Assim, penso que com o passar do tempo a criança acaba incorporando o dever de carregar suas próprias coisas e arcar com as responsabilidades de seus atos ponderando, então, suas conseqüências antes de tomar uma decisão. Isso, claro, é apenas uma possibilidade pois a experiência social de uma criança ou de um adolescente é muito mais complexa do que a interação que ele tem com seus pais. Mas, cá entre nós, “se pediu, agüenta” é talvez o ditado mais repetido pelos estudantes no final de cada semestre: “Não pediu pra fazer faculdade? Então, agüenta!” Estou valorizando demasiadamente a sabedoria popular? Tenho aprendido a não menosprezá-la, sobretudo depois que encontrei um desses ditos populares num dos mais importantes textos de teoria sociológica que já li - o que reforça a idéia de que, para falar de coisas complexas e profundas, não é preciso fazê-lo necessariamente de uma maneira rebuscada e incompreensível. Veja-se, também, o caso de Cristo que sempre falou sobre a salvação e o “reino de céus”: questões essencialmente transcendentais, mas que eram comparadas ao grão de mostarda, ao fermento, ao gesto de um pescador, a uma porta, etc. - como neste caso, em que faz uso de um dito popular: “Ninguém acende uma candeia e a esconde num jarro ou a coloca debaixo de uma cama.” [Lucas 8:16] Qual era, aqui, o contexto? Cristo tinha acabado de contar uma parábola (Lucas 8:4-18). Diga-se de passagem: uma das poucas que ele explicou o significado, já que seus discípulos lhe pediram para fazê-lo. E, ao final da explicação, ele encerra com este ditado popular que sintetiza o reflexo de quem recebe uma mensagem capaz de transformar sua vida - e que, na coletânea de ditos populares da música “Do It”, poderia talvez ser traduzido como: "Tá feliz, requebre Se venceu, celebre" Jean Carlo Faustino Sociologia / Unicamp

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