Textos legais... e td o mais que eu curtir em materia de leitura
30.9.06
Para os Brasas de fora e os de dentro...
Um boa letra em tempos de eleição...
Brasucas espalhados pelo mundo..., voltem, sentimos falta de vocês, precisamos de vocês pra nos ajudar com a agua e o sabão :)
Brasa
Gabriel Pensador
Composição: Gabriel O Pensador/Lenine
Um poeta já falou, vendo o homem e seu caminho:
"o lar do passarinho é o ar, e não o ninho".
E eu voei... Eu passei um tempo fora, eu passei um tempo longe.
Não importa quanto tempo, não importa onde.
Num lugar mais frio, ou mais quente de repente, onde a gente é esquisita, um lugar diferente.
Outra língua, outra cultura, outra moeda.
É, vida dura mas eu sou duro na queda.
Se me derrubar... eu me levanto, e fui aos trancos e barrancos, trampo atrás de trampo, trabalhando pra pagar a pensão e superar a tensão do pesadelo da imigração.
Clandestino, imigrante, maltrapilho.
Mais um subdesenvolvido que escolheu o exílio, procurando a sua chance de fazer algum dinheiro, no primeiro mundo com saudade do terceiro.
Família, amigos, meus velhos, meu mano - o meu pequeno mundo em segundo plano.
Eu forcei alguns sorrisos e algumas amizades.
Passei um tempo mal, morrendo de saudade.
Eu tô morrendo de saudade, tô morrendo de saudade.
Eu tô morrendo de saudade, tô morrendo de saudade...
Da beleza poluída, da favela iluminada, do tempero da comida, do som da batucada.
Da cultura, da mistura, da estrutura precária.
Da farofa, do pãozinho e da loucura diária.
Do churrasco de domingo, o rateio e o fiado, a criança ali dormindo, o coroa aposentado.
Eu tô morrendo de saudade, tô morrendo de saudade...
Da mulata oferecida, do pagode malfeito, de torcer na arquibancada pro meu time do peito.
A pelada sagrada com a rapaziada, o sorriso desdentado na rodinha de piada.
Da malandragem, da nossa malícia, da batida de limão, da gelada que delícia!
Eu tô morrendo de saudade, tô morrendo de saudade...
Do jornal lá na banca, da notícia pra ler, das garotas dos programas da TV.
Do jeitinho, do improviso, da bagunça geral.
Do calor humano, do fundo de quintal.
Do clima, da rima, da festa feita à toa - típica mania de levar tudo na boa - do contato, do mato, do cheiro e da cor.
E do nosso jeito de fazer amor.
Agora eu sou poeta, vendo o homem a caminhar:
o lar do passarinho é o ninho, e não o ar.
E eu voltei. E eu passei um tempo bem, depois do meu retorno.
Eu e minha gente, coração mais quente, refeição no forno.
Água no feijão, tô na área, bichinho.
Se me derrubar... eu não tô mais sozinho.
Tô de volta sim senhor.
Sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor.
Mas o amor é cego.
Devo admitir, devo e não nego, que aos poucos fui caindo na real, vendo como o Brasa tava em brasa, tava mal.
Vendo a minha terra assim em guerra, o meu país... não dá, não dá pra ser feliz.
E bate uma revolta, e bate uma deprê.
E bate a frustração, e bate o coração pra não morrer.
Mas bate assim cabreiro.
Bate no escuro, sem esperança no futuro, bate o desespero.
Bate inseguro, no terceiro mundo, se for, com saudade do primeiro.
Os velhos, os filhos, os manos - ninguém aqui em casa tem direito a fazer planos.
Eu forcei alguns sorrisos e lágrimas risonhas.
Passei um tempo mal, morrendo de vergonha.
Eu tô morrendo de vergonha, tô morrendo de vergonha.
Eu tô morrendo de vergonha, tô morrendo de vergonha...
Da beleza poluída, da favela iluminada, da falta de comida pra quem não tem nada.
Da postura, da usura, da tortura diária.
Da cela especial, da estrutura carcerária.
A chacina de domingo, o rateio e o fiado, a criança ali pedindo, o coroa acorrentado.
Eu tô morrendo de vergonha, tô morrendo de vergonha...
Da mulata oferecida, do pagode malfeito.
Morrer na arquibancada pro meu time do peito.
O salário suado que não serve pra nada, o sorriso desdentado na rodinha de piada.
Da malandragem, da nossa milícia, da batida da PM, porrada da polícia.
Eu tô morrendo de vergonha, tô morrendo de vergonha...
Do jornal lá na banca, da notícia pra ler, das garotas de programa dos programas da TV.
Do jeitinho, do improviso, da bagunça geral, do sorriso mentiroso na campanha eleitoral.
Do clima de festa, da festa feita à toa - ridícula mania de levar tudo na boa - do contato, do mato, do cheiro da carniça.
E do nosso, jeito de fazer justiça.
Mas eu vou ficar no Brasa porque o Brasa é minha casa, casa do meu coração.
Mas eu vou ficar no Brasa porque o Brasa é minha casa e a minha casa só precisa de uma boa arrumação.
Muita água e sabão.
Ensaboa, meu irmão.
Não se suja não.
Indignação.
Manifestação.
Mais informação.
Conscientização.
Comunicação.
Com toda razão.
Participação.
No voto e na pressão.
Reivindicação.
Reformulação.
Água e sabão na nossa nação.
Água e sabão, tá na nossa mão.
Tô morrendo de paixão, tô morrendo de paixão...
"No amor não existe medo; antes, o perfeito amor lança fora o medo. Ora o medo produz tormento; logo, aquele que teme (se apavora) não é aperfeiçoado NO AMOR"- 1 João 4:18.
Onde esta Wolly ?? não, onde esta seu medo ???
Tienen miedo del amor y no saber amar,tienen miedo de la sombra y miedo de la luz.Tienen miedo de pedir y miedo de callar,miedo que da miedo del miedo que da.Tienen miedo de subir y miedo de bajar,tienen miedo de la noche y miedo del azul.Tienen miedo de escupir y miedo de aguantar,miedo que da miedo del miedo que da.El miedo es una sombra que el temor no esquiva,el miedo es una trampa que atrapó al amor,el miedo es la palanca que apagó la vida,el miedo es una grieta que agrandó el dolor.Têm medo de gente e de solidão,têm medo da vida e medo de morrer,têm medo de ficar e medo de escapulir,medo que dá medo do medo que dá.Têm medo de ascender e medo de apagar,têm medo de espera e medo de partir,têm medo de correr e medo de cair,medo que dá medo do medo que dá.O medo é uma linha que separa o mundo,o medo é uma casa aonde ninguém vai,o medo é como un laço que se aperta em nós,o medo é uma força que não me deixa andar.Tienen miedo de reír y miedo de llorar,tienen miedo de encontrarse y miedo de no ser,tienen miedo de decir y miedo de escuchar,miedo que da miedo del miedo que da.Têm medo de parar e medo de avançar,têm medo de amarrar e medo de quebrar,têm medo de exigir e medo de deixar,medo que dá medo do medo que dá.O medo é uma sombre que o temor nao desvia,o medo é uma armadilha que pegou o amor,o medo é uma chave que apagou a vida,o medo é uma brecha que fez crecer a dor.El miedo es una raya que separa el mundo,el miedo es una casa donde nadie va,el miedo es como un lazo que se aprieta en nudo,el miedo es una fuerza que me impide andar.Medo de olhar no fundo,medo de dobrar a esquina,medo de ficar no escuro,de passar em branco, de curzar a linha.Medo de se achar sozinho,de perder a rédea a pose e o prumo,medo de pedir arrêgo,medo de vagar sem rumo.Medo estampado na caraou escondido no porâo,medo circulando nas velas,ou em rota de colisâo.¿Medo é de deus ou do demo?¿É ordem ou é confusâo?,o medo é medonho,o medo domina,o medo é a medida da indecisâo.Medo de fechar a cara, medo de encarar,medo de calar a boca, medo de escutar,medo de passar a perna, medo de cair,medo de fazer de conta, medo de iludir.Medo de se arrepender,medo de deixar por fazer,medo de amargurar pelo que nâo se fez,medo de perder a vez.Medo de fugir la raia na hora h,medo de morrer na praia depois de beber o mar,medo que dá medo do medo que dá.(tienen miedo de la soledadtienen miedo de la vida y miedo de morirtienen miedo de quedarse y miedo de escaparmiedo que da miedo del miedo que dael miedo es una raya que separa el mundoel miedo es uan casa donde nadie vael miedo es como en lazo que se aprieta en nudoel miedo es una fuerza que me impide andar)(tienen miedo de caer y miedo de avanzartienen miedo de amarrar y miedo de rompertienen miedo de exigir y miedo de pasarmiedo que da miedo del miedo que da)(miedo de mirar el fondomiedo de doblar la esquinamiedo de quedarse en la oscuridadmiedo de pasar en blancode cruzar la líneamiedo de encontrarse solode perder las riendas la pose y el equilibriomiedo de darse por vencidomiedo de vagar sin rumbomiedo estampado en la carao escondido en los sótanosmiedo circulando en las venaso en ruta de colisión¿el miedo es de dios o es del demonio?¿es orden o es confusión?el miedo es un monstruoel miedo dominaes miedo es la medida de la indecisiónmiedo de arrugar la frente miedo de encararmiedo de callar la boca miedo de escucharmiedo de poner la zancadilla miedo de caermiedo de hacerse a la idea miedo de ilusionarsemiedo de arrepentirsemiedo de dejar para despuésmiedo de margarse por lo que se hizomiedo de perder la vezmiedo de salirse de la rayaen el momento definitivomiedo de morir en la playadespués de beberse el marmiedo que da miedodel miedo que da)
Vanessa da Mata, Lenine e Orquestra cantando Morro Velho de Milton Nascimento
Não reparem nas condições de gravação :)
se travar aperte o pause e espere abaixar pelo menos um terço do video
para ver mais videos deste show, visite minha pagina no youtube, link ao lado
ps: não deixe de ver meus videos favoritos...
O Bono nos ajudará com esta questão cabeluda :)
Se o filme travar aperte o pause e espere baixar pelo menos 1/3 do filme.
Mas não deixe de ouvir a musica. Ela é linda :) Tem um jeito de andar... Grace U2
Graça, ela assume a culpa
Ela cobre a vergonha
Remove a mancha
Poderia ser o nome dela
Graça, é o nome para uma menina
Também é um pensamento que mudou o mundo
E quando ela anda na rua
Você pode ouvir os violinos
Graça encontra bondade em tudo
Graça, ela tem um jeito de andar
Não como uma modelo nem como um bêbado
Ela tem tempo para falar
Ela viaja para fora do carmaEla viaja para fora do carma
Quando ela vai trabalhar
Você pode ouvir os violinos
Graça encontra beleza em tudo
Graça, ela carrega um mundo em seus quadris
Não há taça de champanhe para seus lábios
Não há giros ou pulos entre os dedos
Ela carrega uma pérola em perfeitas condições
O que antes era dor
O que antes era atrito
O que deixava uma marca
Não fere mais
Porque Graça cria a beleza
A partir das coisas feias
Graça acha beleza em tudo
Graça acha bondade em tudo
Assayas: Eu acho que estou começando a entender religião porque eu estou agindo e pensando como um pai. O que você acha disso?
Bono: Eu acho que é normal. É a mente se transformando com conceitos de que Deus, que criou o universo, pode estar querendo companhia, um relacionamento de verdade. Mas o que me deixa ajoelhado é a diferença de graça e carma. Assayas: Eu nunca ouvi você falar disso
Bono: Eu acredito que nós somos movidos pelo carma, mas um nos move pela Graça.
Assayas: Eu não entendi
Bono: A idéia de todas religiões é o carma. Sabe, o que você fala volta pra você, olho por olho, dente por dente, ou na física, toda ação causa uma reação. É muito claro para mim que o carma é o coração do universo. Eu tenho certeza absoluta disso. Mas aí surge uma idéia chamada Graça, em que mesmo com o tudo o que você planta, colherá desafia a razão e a lógica. O amor interrompe as conseqüências de suas ações, com o perdão, que no meu caso é algo muito bom, pois eu faço muitas besteiras.
Assayas: Eu ficaria interessado em ouvir isso
Bono: Isso é entre eu e Deus. Mas eu teria grandes problemas com carma se ele definisse meu julgamento. Estou me mantendo pela Graça. Creio estar livre, pois Jesus levou todos os meus pecados na cruz, porque eu sei quem eu sou e espero não depender da minha religiosidade.
Entrevista Tirada do livro "Bono: In Conversation With Michka Assayas"
Coloque algumas palavras chaves no google e saiba mais.
Acepções? verbo Regionalismo: Brasil. transitivo direto e intransitivo digerir uma refeição copiosa em repouso
Ex.: Veja numa musica deliciosa "Flor" de Maria João e Lenine
Ps: Se travar aperte o pause e esperei abaixar.
“Do It Again”
Quem já não teve diante de si um amigo(a) apaixonado(a)que se revolve em incertezas sem fim? Diz que não sabe se liga ou se não liga, se namora ou não namora, se casa ou se compra uma bicicleta...
A situação é cômica: o “ser humano” sabe o que tem que fazer mas parece precisar de uma confirmação externa para tomar uma atitude. Nessas condições, o conselho mais simples (e digo simples porque ele parece ser sugerido pela própria pessoa que o pede) resolve. Assim, algo do tipo “se acredita, tenta” ou “se dá pé, namora” como que por um passe de mágica transforma aquele miserável sofredor em um exultante otimista.
Pois é, assim é a vida: complexa e cheia de mistérios. Mas, as vezes, uma atitude simples e ativa promove a resolução de conflitos internos intermináveis. “Do It”, a música que abre o disco “InCité” de Lenine e de onde peguei emprestado as citações acima, faz uma espécie de coletânea dessas soluções simples e práticas do cotidiano:
“Tá cansada, senta
se acredita, tenta
se tá frio, esquenta
se tá fora, entra
se pediu, agüenta.”
Quando ouço esta canção fico logo pensando no contexto digamos sócio-lingüístico de onde elas se originaram. Para a primeira frase, por exemplo, imagino uma situação onde uma mulher faz uma visita a uma amiga e, logo ao chegar, vai se queixando:
“_ Ai... como eu tô cansada!
_ Se tá cansada, senta.”
Ou então, uma criança que faz birra querendo voltar pra casa logo que chega a um lugar onde seus pais, depois de tanta insistência, a levaram. Imaginando esta situação no Estado originário de Lenine (Pernambuco), parece que consigo ver diante de mim a resposta da mãe aos caprichos do filho:
“ _ Ôxe rapaz, cê não pediu pra vir? Agora agüenta!”
Ok, talvez o leitor não compartilhe da mesma simpatia e afeto que tenho pelas diferenças lingüísticas – sobretudo por alguns sotaques... De qualquer maneira, o que desejo destacar é a genialidade com que o compositor conseguiu reunir todas essas pequenas soluções práticas da vida cotidiana numa letra que lembra um poema concreto pelo seu
caráter minimalista: três palavras resumem o problema e a solução.
Mas, a letra da canção não é apenas uma junção aleatória e sem sentido de ditos populares. Pois, soluções como essa última, “se pediu, agüenta”, a despeito de seu aspecto econômico, possui um caráter didático – sendo, não raramente, utilizada pelos pais na educação de seus filhos. Assim, penso que com o passar do tempo a criança acaba
incorporando o dever de carregar suas próprias coisas e arcar com as responsabilidades de seus atos ponderando, então, suas conseqüências antes de tomar uma decisão. Isso, claro, é apenas uma possibilidade pois a experiência social de uma criança ou de um adolescente é muito mais complexa do que a interação que ele tem com seus pais. Mas, cá entre nós, “se pediu, agüenta” é talvez o ditado mais repetido pelos estudantes no final de cada semestre:
“Não pediu pra fazer faculdade?
Então, agüenta!”
Estou valorizando demasiadamente a sabedoria popular? Tenho aprendido a não menosprezá-la, sobretudo depois que encontrei um desses ditos populares num dos mais importantes textos de teoria sociológica que já li - o que reforça a idéia de que, para falar de coisas complexas e profundas, não é preciso fazê-lo necessariamente de uma maneira rebuscada e incompreensível.
Veja-se, também, o caso de Cristo que sempre falou sobre a salvação e o “reino de céus”: questões essencialmente transcendentais, mas que eram comparadas ao grão de mostarda, ao fermento, ao gesto de um pescador, a uma porta, etc. - como neste caso, em que faz uso de um dito popular:
“Ninguém acende uma candeia e a esconde num jarro
ou a coloca debaixo de uma cama.”
[Lucas 8:16]
Qual era, aqui, o contexto? Cristo tinha acabado de contar uma parábola (Lucas 8:4-18). Diga-se de passagem: uma das poucas que ele explicou o significado, já que seus discípulos lhe pediram para fazê-lo.
E, ao final da explicação, ele encerra com este ditado popular que sintetiza o reflexo de quem recebe uma mensagem capaz de transformar sua vida - e que, na coletânea de ditos populares da música “Do It”, poderia talvez ser traduzido como:
"Tá feliz, requebre Se venceu, celebre"
Jean Carlo Faustino
Sociologia / Unicamp
A música que a maioria das pessoas só conhece um pedacinho, e uma reflexão logo abaixo sobre a letra. Reflexão do meu amigo Jean.
“Imperativos modernos”
Dias atrás, ao ouvir o tema de abertura da novela “Belíssima” me dei conta de que vejo
esta mesma chamada desde que este ano começou - o que significa que o mesmo programa televisivo encontra-se “no ar” há seis meses, o que significa, também, que já fazem seis meses que grande parte da população brasileira ouve, toda semana, a música sobre a qual pretendo me ocupar aqui: “Do It”, de Lenine.
Pelo título em inglês, esta música poderia parecer mais adeqüada à novela anterior: “América”. Mas, naquela, havia uma outra música de Lenine, ou melhor, uma interpretação já que se tratava de uma nova versão da “Vida de Viajante” de
Luiz Gonzaga. Esta mesma versão de Lenine já havia sido tema do filme “Deus é Brasileiro” e se fosse me deter aqui sobre a participação do cantor nas trilhas sonoras de filmes, novelas e até mesmo em peças de teatro, teria que dedicar um artigo a parte só para o assunto. Vale, porém, o registro dessas “intersecções” e “inserções” que os músicos atuais tem que fazer para difundir e popularizar sua obra – o que é bem
diferente de fazer “música comercial”.
Voltemo-nos, portanto, para o assunto proposto para este artigo: a canção “Do It” que começa da seguinte maneira:
“Tá cansada, senta
Se acredita, tenta
Se tá frio, esquenta
Se tá fora, entra
Se pediu, agüenta “
Como diria o próprio Lenine “esta é uma música toda feita de imperativos” - o que, acrescento eu, reflete o “espírito de época” em que vivemos onde o fazer muitas coisas (estudar, trabalhar, estudar línguas, especializar, fazer pós-gradução, limpar a casa, cuidar dos filhos, etc.) é um imperativo que extrapola a nossa vontade pessoal já que se constitui como “regra do jogo” da vida moderna (ou pós-moderna, “as you like it”...).
Assim, “Do It”, expressão que traz consigo a marca do pragmatismo norte-americano, agora globalizado, traduz bem este imperativo da vida moderna que acabamos interiorizando tornando-nos em carrasco de nós mesmos: produtivos, hiperativos, mas sem tempo para contemplar as coisas belas que, não raro, nos parecem distantes ou nós distantes delas.
Uma vez, eu estava participando de uma escola dominical, numa igreja, onde
se realizava um interessante estudo sobre a passagem, narrada pela Bíblia, quando Cristo visita as irmãs Marta e Maria. Marta, possivelmente pêga de surpresa pela inesperada e ilustre visita, corre de um lado para outro procurando, provavelmente, providenciar aqueles cuidados que representariam uma boa expressão da sua hospitalidade. Já Maria não faz nada além de ficar contemplando as palavras
que Jesus está lhe dizendo. A irmã, Marta, fica então indignada com a irmã que não lhe
ajuda a servir e coloca a questão diante de Cristo. Que vos parece? Não seria justo que Maria ajudasse sua irmã com o trabalho de servir o visitante?... Pois, curiosamente, Cristo
responde à indignação de Marta da seguinte maneira:
“Marta, Marta, estás ansiosa e pertubada com muitas coisas; entretanto poucas são necessárias, ou mesmo uma só; e Maria escolheu a boa parte, a qual não lhe será tirada.”
[ Lucas 10: 41-42 ]
Após a exposição do texto bíblico, o assunto foi colocado em discusão, e a opinião que me pareceu mais honesta foi a de uma mulher que reconheceu que ela só conseguia se identificar com Marta: a irmã superativa e ansiosa.
Mais do que um aspecto da sua personalidade, o que aquela mulher expressava era a maneira como todos nós vivemos hoje em dia: ansiosos e pertudados, preocupados com muitas coisas e sem tempo para nos ocupar com a “boa parte”.
Ao cantar “Do It”, Lenine traz à tona este tema – que as vezes, por estarmos correndo atrás de tantas coisas nem paramos pra pensar. No entanto, seria esta música um elogio desta filosofia pragmática e desses imperativos modernos?... Penso que não e, para isso, baseio-me não somente na letra da canção, que não terei espaço para aqui me deter, como, também, na música que a segue no disco de que faz parte.
Neste disco, “In Cité”, a música “Do It” é seguida por “Vivo”. Além da letra desta última canção, da qual já me ocupei nesta Agenda***, no ano passado, ela possui um ritmo totalmente oposto ao de “Do It” (lento e com poucos acordes) parecendo, assim, sugerir que, em meio ao agito da vida moderna, é preciso também nos aquietarmos e refletirmos sobre a nossa vida e sobre a nossa condição humana no mundo e sociedade em que estamos.
Jean Carlo FaustinoSociologia / Unicamp***Vide textos abaixo, faça uma busca por "Jean".
Não deixem de assistir a este filme, maravilhoso !!!Sinopse
Enquanto elabora sua tese e se prepara para se casar Finn Dodd (Wynona Ryder), uma jovem mulher, vai morar na casa da sua avó (Ellen Burstyn). Lá estão várias amigas da família, que preparam uma elaborada colcha de retalhos como presente de casamento. Enquanto o trabalho é feito ela ouve o relato de paixões e envolvimentos, nem sempre moralmente aprováveis mas repletos de sentimentos, que estas mulheres tiveram. Neste meio tempo ela se sente atraída por um desconhecido, criando dúvidas no seu coração que precisam ser esclarecidas.
Algumas criticas que achei por ai
José Luiz Barbosa, Leitor do Adoro Cinema - Nota 10:"Já assisti a esse filme pelo menos umas 15 vezes desde 2001. Não é apenas uma obra-prima pelas excelentes atuações das atrizes; trata-se de uma obra necessária à reflexão sobre a vida e o papel de cada um de nós em nosso entorno."
Viviane Rossetto (Crítica do Leitor): "Assisti esse filme na aula de sociologia na faculdade. É um belo filme, que nos mostra que por mais que pensemos bem antes de fazer uma escolha muitas vezes ela pode dar errado, mas mesmo assim você leva uma lição nova na bagagem."
Larissa Nadin, Nota 10:"Realmente não existe uma palavra exata que possa definir a essencialidade desse filme. Ele é maravilhoso do começo ao fim, chorei as quatro vezes que assisti, para um trabalho na faculdade, oque mais tocou em mim foi a historia de Sophia Darling, meu Deus! foi exepcional."
Achei até um trabalho social que nasceu inspirado neste filme !!Elas se viram em HollywoodUm grupo de senhoras solitárias, do interior dos Estados Unidos, se reúne para falar de suas histórias de amor, enquanto bordam uma colcha. É esse o enredo do filme "Colcha de Retalhos" ("How to Make an American Quilt", 1995), com Winona Ryder e Anne Bancroft. As semelhanças com o trabalho das bordadeiras mineiras não são mera coincidência. O artista plástico Wilson Avellar, idealizador da oficina Memória e Cultura, se inspirou no filme quando decidiu trabalhar com as mães da comunidade.
Até então, o projeto Usina de Arte e Criação, uma iniciativa da Associação Municipal de Assistência Social (Amas), com patrocínio do Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância), atendia apenas crianças.As bordadeiras só assistiram à fita quando finalizaram o primeiro trabalho. "Choramos de emoção", lembra Ivone Barbosa. "O que sentimos é parecido, mesmo sendo lá longe." Ali nascia a idéia da colcha "Meu Primeiro Amor", que vai para uma galeria de arte de Belo Horizonte. Ficção e realidade se misturam em vários retalhos das duas colchas. O jardim de rosas amarelas – que no filme uma das atrizes borda como cenário de seu grande amor – encontra paralelo nos canteiros de Ivone. O affair entre uma criada negra e o filho do patrão lembra a história de Sônia, despedida por amar o marido da patroa.
Agora, assistindo a este filme me fez lembrar uma historia de Carl Jung que coloco abaixo, o filme é ficção, aqui é real! "Meu exemplo se relaciona com uma jovem paciente que, apesar dos esforços de ambos os lados, provou estar psicologicamente inacessível. A dificuldade se encontrava no fato de ele sempre saber tudo sobre todas as coisas. Sua excelente educação lhe fornecera uma arma ideal para essa finalidade, ou seja, um racionalismo cartesiano altamente elaborado com uma idéia impecavelmente "geométrica" da realidade. Depois de varias tentativas infrutíferas de atenuar seu racionalismo com uma compreensão um pouco mais humana, tive que me limitar e esperar que algo inesperado e irracional acontecesse, algo que quebrasse o vaso intelectual em que se trancara. Bem, certo dia eu estava sentado em frente a ela, de costas para a janela, ouvindo um fluxo retórico. Ela tivera um sonho impressionante na noite anterior, no qual alguém lhe dera um escaravelho dourado - uma jóia muito cara. Enquanto me contava o sonho, escutei algo batendo levemente na janela. Virei-me e vi que um grande inseto voador se chocava contra o vidro do lado de fora, num esforço obvio pra entrar na sala escura. Isso me pareceu muito estranho. Abri imediatamente a janela e peguei-o no ar enquanto voava para dentro. Era um besouro comum (Cetonia aurata), cuja cor auriverde mais parece a de um escaravelho dourado. Eu o entreguei e disse para ela: "aqui esta o seu escaravelho." A experiência abriu a brecha desejada no seu racionalismo e quebrou o gelo da sua resistência intelectual. Agora o tratamento poderia produzir resultados satisfatórios."
Onde eu li ?? Num Livro Muito Bom !!! "A trilha menos percorrida" de : PECK, MORGAN
Faz tempo que não coloco nada sobre política e sociedade aqui, mas esta coluna merece como merece tbm o link da charge sobre o mesmo tema.
A invasão do Congresso
FERNANDO RODRIGUESA (Veja nos meus Links)identidade dos vândalos
A primeira observação sobre a invasão de ontem da Câmara é a respeito do ineficaz sistema de segurança do Poder Legislativo. Basta vestir terno e gravata, olhar para cima e qualquer um entra ali. Ninguém é importunado. É assim há décadas. Talvez esse seja outro traço da "cordialidade" brasileira tão bem descrita por Sérgio Buarque de Holanda.
É bom que não existam muros intransponíveis separando o Legislativo da população. O problema agora é de outra ordem. A degradação dos valores do Congresso -com seus bingueiros, mensaleiros e sanguessugas- parece ter colocado no chão o natural respeito mínimo que se deve ter pela instituição.
Os dirigentes do Movimento de Libertação dos Sem Terra (MLST) alegaram que não tinham a intenção de invadir o Congresso. Difícil saber se falam a verdade. O fato é que todos desceram dos ônibus enfurecidos. Avançaram com paus e pedras. Foi uma das mais violentas manifestações que se tem notícia dentro das dependências do Congresso.
O estouro de uma boiada, sabe-se, ocorre por motivos variados. A baixa credibilidade do Congresso não é um fator desprezível nessas horas. Qual reverência deve ter um manifestante pelo Congresso quando sabe que deputado atrás de deputado é absolvido depois de ter sido flagrado recebendo dinheiro de maneira criminosa? O escândalo dos sanguessugas completa um mês no sábado. Câmara e Senado não se mexeram para punir os responsáveis.
Nada justifica, por certo, a violenta ação do MLST. Mas a impunidade generalizada no Congresso torna tudo confuso. Não se sabe ao certo quem é mais vândalo -se os que promovem o quebra-quebra ou os deputados e os senadores que absolvem seus colegas criminosos.
Não deixe de ver a charge
http://charges.uol.com.br/2006/06/08/cotidiano-anteontem-na-camara/
Liberdade
Los Hermanos
Composição: Marcelo Camelo
Perceber aquilo que se tem de bom no viver é um dom
Daqui não, eu vivo a vida na ilusão
Entre o chão e os ares vou sonhando em outros ares, vou Fingindo ser o que eu já sou
Fingindo ser o que eu já sou
Mesmo sem me libertar eu vou
É, Deus, parece que vai ser nós dois até o final
Eu vou ver o jogo se realizar de um lugar seguroSeguro
De que vale ser aqui De que vale ser aqui
Onde a vida é de sonhar
Liberdade
Telefone toca, coração na boca
Como se uma faca entrasse devagarinho em nossos corações
Uma guerra, guerra louca, entre o coração e a razão do mei pai
A vida do meu irmão em jogo
Vida de mercadoria
Mercadoria de vida.
Dor que paraliza tudo
Segundos que não passam
Carros correm lá fora
Mas aqui é como se o sangue parasse em artérias entupidas pelo medo.
Aqui é como se fossemos um
Nos movimentamos e abraçamos
Pessoas unidas com as colas da dor.
Uma negociação diferente
É a vida mercadoria
Novos parametros acrescidos a uma negociação normal
Dor, lutas, tempo paralizado, ganancia, extorsão, sequestro das almas.
Aqui é um templo
Pessoas falam baixo, reverencia, comidas
Não, na verdade, esta mais para velório
Mas quem morreu?
Meu irmão? Não
Morreu a esperança? Não
Não, é um velório de almas que estão no purgatório
Sim, o purgatório existe.
"Sacerdotes" de Deus estão aparecendo
Uma oração rápida e um tchau cor de missão cumprida
Não fazem idéia da dor e pressão em que estamos
O que querem? Alivio de consciencia? Confortar?
A oração deles é melhor?
Sinto cheiro de clero, que não quer ou ainda não esta preparado para ficar
Boa intenção? Claro! Não temos todos?
Mas não quero a benção especial
Simplismente quero a benção do meu irmão em casa.
Ai Se Sêsse, Cordel Do Fogo Encantado Composição: Zé Da Luz
Ai Se SêsseCordel Do Fogo EncantadoComposição: Zé Da Luz
Se um dia nois se gostasseSe um dia nois se queresseSe nois dois se empareasseSe juntim nois dois vivesseSe juntim nois dois morasseSe juntim nois dois drumisseSe juntim nois dois morresseSe pro céu nois assubisseMas porém acontecesse de São Pedro não abrisse a porta do céu e fosse te dizer qualquer toliceE se eu me arriminasseE tu cum eu insistisse pra que eu me arresolvesseE a minha faca puxasseE o bucho do céu furasseDa vês que nois dois ficasseDa vês que nois dois caisseE o céu furado arriasse e as virgi toda fugisse
Lenine e Varias Cantoras Sob o Mesmo Céu (Premio Multishow)
Lenine
Composição: Lenine e Lula Queiroga
Brasil, Com quantos Brasis se faz um Brasil?Com quantos Brasis se faz um país chamado Brasil?Sob o mesmo céuCada cidade é uma aldeia, uma pessoa,Um sonho, uma nação.Sob o mesmo céu,Meu coração não tem fronteiras,Nem relógio, nem bandeira,Só o ritmo de uma canção maior.A gente vem do tambor do Índio,A gente vem de Portugal,Vem do batuque negroA gente vem do interior e da capital,A gente vem do fundo da floresta,Da selva urbana dos arranha-céus,A gente vem do pampa, do cerrado,Vem da megalópole, vem do Pantanal,A gente vem de trem, vem de galope,De navio, de avião, motocicleta,A gente vem a nadoA gente vem do samba, do forró,A gente vem do futuro conhecer nosso passado.Brasil,Com quantos Brasis se faz um Brasil?Com quantos Brasis se faz um País chamado Brasil?A gente vem do rap e da favela,A gente vem do centro e da periferia,A gente vem da maré, da palafita,Vem dos Orixás da Bahia,A gente traz um desejo de alegria e de paz,E digo mais:A gente tem a honra de estar ao seu ladoA gente vem do futuro conhecer nosso passado.Brasil, Com quantos Brasis se faz um Brasil?Com quantos Brasis se faz um país chamado Brasil. (bis)A gente vem do futuro conhecer nosso passado.
Atirador, de Lula Queiroga, interpretado por Lenine
Atirador
Atire a primeira
Atire a segunda yá yá
Até descarregar o tambor
Até apagar a luz de yô yô
Até nunca maisjá vingou.
Atirador quando compra vingança alheia.
Tem que ter veneno na veia
Tem que saber andar num chão de navalha
Atirador tarda mas não falha
Atirador não tem dó quando atira
Atirador é o dublê da ira
Ele só sabe o nome, só viu o retrato
Alma sebosa é mais barato.
Atire a primeira
Atire a segunda ya ya
Até descarregar o tambor
Até apagar a luz de yo yo
Até nunca mais.
Atendendo a pedidos, meu amigo Jean solta mais uma da série Lenine, mto boa...
No semestre passado, ao escrever um terceiro texto sobre as músicas de Lenine, disse que aquele seria o último para, assim, não aborrecer o leitor com variações sobre um mesmo tema.
Entretanto, como aconteceu justamente o oposto do que esperava, resolvi então dar-me a liberdade de voltar mais uma vez ao assunto – até mesmo porque uma boa obra de arte sempre proporciona um novo aprendizado quando é revisitada. Mas, desta vez, me ocuparei com uma canção da qual não havia ainda tratado: “Todos os Caminhos”, também do novo CD “Incité”, a qual começa assim:
“Eu já me perguntei se o tempo poderá
realizar meus sonhos e desejos”.
Como se vê, logo de início nos é apresentado uma curiosa construção poética na qual o poder de realizar os sonhos e desejos é entregue ao tempo.
Trata-se de um interessante rearranjo de uma reflexão adulta com a qual inevitavelmente iremos nos deparar em algum momento da vida - quando, com base no que já conseguimos e no preço que isso nos custou, olharemos para o horizonte que temos à frente e nos perguntaremos: “será que ainda conseguirei realizar tudo que sonhei ou seria mais prudente reconhecer os meus limites e contentar-me com o que já conquistei?”
Nos versos seguintes, o autor expressa as raízes do seu questionamento:
“Será que eu já nem sei por
onde procurar ou todos
os caminhos dão no mesmo?
O certo é que eu não sei o que virá.”
Note-se, portanto, que – no contexto da canção – não se trata de uma reflexão puramente abstrata, pois os versos dão a entender que o autor/agente procurou os caminhos mas que esses conduziram a resultados que fizeram-no questionar sua capacidade de escolhaconduzindo-o à seguinte conclusão: “o certo é que eu não sei o que virá”.
Trata-se de uma frase que eoncontra eco em outras músicas do mesmo álbum “Incité” - como, por exemplo, nas canções: ”ninguém faz idéia” e “virou areia”, o que demonstra a unidade artística presente neste último disco do cantor.
Além disso, tratam-se de versos que ecoam também apreensões humanas milenares sobre as incertezas sobre o futuro pessoal. Digo milenares porque a encontramos também em livros bíblicos: nos Evangelhos, nas cartas escritas pelos discípulos, nos textos do rei Salomão, etc.
Sabe-se que uma preocupação demasiada em garantir um futuro tranqüilo pode levar uma pessoa à avareza e a um comportamento materialista centrado somente em si. Sobre este perigo, Cristo nos advertiu no conhecido “Sermão do Monte”. Esta, porém, não parece ser a questão da música de Lenine. A questão, alí, parece estar vinculada com os desejos do coração e com a limitação de recursos – sobretudo o tempo – para realizá-los.
Salmos, que é um livro poético, diz algo bastante consolador sobre esse assunto:
“Agrada-te do Senhor, e ele realizará os desejos
do teu coração”. [Salmos 37:4]
No entanto, os versos da canção de Lenine parecem conduzir nossa reflexão para um outro texto bíblico – referente a um discurso de Cristo onde, curiosamente, um tema análogo foi, por Ele, colocado:
“Pois qual de vós, pretendendo
construir uma torre, não se
assenta primeiro para calcular
a despesa e verificar se tem
os meios para a concluir?
Para não suceder que, tendo
lançado os alicerces e não
a podendo acabar, todos os
que a virem zombem dele,
dizendo: este homem começou
a construir e não pôde acabar.”
[Lucas 14:28-30]
Cristo tomou como exemplo um homem que pretendia construir uma torre – e, na continuação do texto, fala também de um rei que estava indo para uma batalha. Mas, obviamente, a “torre” é uma metáfora de uma outra coisa que pode, por exemplo, ser compreendida com os “sonhos e desejos” da música de Lenine, ou seja, com algo que diz respeito às maiores realizações das nossas vidas.
O autor da música parece estar, portanto, ponderando este mesmo tipo de questão e nos ensinando, talvez, que uma reflexão semelhante pode ser um dos caminhos não somente para se lidar com as incertezas do futuro como, também, para meditar nas lições que nosso passado, isto é, que a nossa história tem a nos ensinar. Aliás, sobre esse assunto, valeria a pena constatar as lições apreendidas pelo autor na continuação desta música...
Algumas pessoas questionam a minha fé, e eu sei que torcem o nariz para as escolhas que eu fiz nesta vida, julgando aquilo que elas não conhecem.
Então hoje eu quis escrever sobre isso, sobre a minha invisível fé.
Sim eu tenho fé, só que ela não é igual à daqueles que professam a Deus aos quatros ventos mas destroem, apóiam ou se omitem diante do massacre de milhares de pessoas apenas para garantir vantagens financeiras como as patéticas guerras do Iraque e do Afeganistão, todas articuladas em nome de Deus.
A minha fé também não é igual à daqueles que dizem buscar a cura para doenças com a finalidade de salvar vidas, mas na verdade só buscam o lucro (aliás, àqueles que se importam, e não assistiram, não deixem de assistir ao filme O Jardineiro Fiel é um tapa na cara da omissão de todos nós).
Ela também é diferente da crença daqueles que professam viver pela fé, viver para Deus e amar a Jesus sobre todas as coisas, mas que após receberem dádivas divinas como, por exemplo, a oportunidade de cursar boas faculdades públicas, se omitem por capricho não devolvendo à sociedade aquilo que lhes foi oferecido, ou então usam os conhecimentos apreendidos para se beneficiarem entrando para a indústria do lucro apenas para satisfazer suas ganâncias pessoais ao invés de prestar retribuição à sociedade com algo que beneficie a coletividade, retribuem sim, com mais desigualdades, miséria e sofrimento daqueles que não tiveram as mesmas oportunidades.
Acho que não é preciso ser doutor para saber do que estou falando, estou falando dos médicos, advogados, políticos, pastores, padres, professores entre outros indivíduos que prestam serviços públicos e atendem a população como se fosse lixo, escória, trapos humanos, vidas baratas e inúteis, gente mal cheirosa que seria melhor se não existissem. Atitudes de descaso ou omissão que deveriam ser consideradas crimes, mas se assim fosse não teria lugar para tanta gente no sistema carcerário – aliás, já não tem.
Não, eu não quero uma fé igual a esta, e se isto for se declarar atéia, desviada, profana ou qualquer um destes jargões “evangeliquezes” que eu ouvi durante toda a minha vida, então é tudo isso que eu sou, e eu repudio e desprezo este tipo de fé dogmática e ritualística, eu desprezo este tipo de amor ao próximo, que se preocupa em catequizar pessoas mas não cuidar delas ou de seu sofrimento, que privilegia futilidades e caprichos em detrimento do próximo, que não tem consciência da sua responsabilidade social, ambiental e humana. Até os animais “irracionais” são mais humanos, eles só matam quando são ameaçados ou para se alimentar, eles não matam por ganância, por descaso ou por prazer.
Mas, apesar de tudo isso eu ainda tenho fé no ser humano.
Fé naqueles que admiro por não darem lugar a hipocrisia.
Fé naqueles que fazem ou estão buscando fazer alguma coisa porque lá no fundo se importam.
Fé naquelas pessoas que deram ou dão sua contribuição para melhorar este mundo ainda que só um pouquinho, ainda que timidamente, no escuro onde ninguém vê, plantando sementes que podem frutificar no futuro, trabalhando para diminuia a discriminação, a desigualdade....nestes sim eu vejo Deus, nestes sim eu vejo o amor divino que eu quero ter, e por ironia do destino alguns são estigmatizados como apóstatas como eu.
Esta sim é a fé que me move e que me alimenta, que me faz acreditar que ainda há esperança neste mundo, que me faz crer que ainda é possível haver vida digna, igualdade, liberdade e fraternidade apesar da hipocrisia.
Quanto as minhas escolhas, eu não me arrependo de ter errado, pois foi com estes erros que eu aprendi e me tornei quem eu sou e apesar de tudo, admitir escolhas erradas ao menos me faz mais honesta.
Eu me arrependo sim, de ter me omitido, de ter fechado meus olhos para tudo isso de podre que sempre esteve na minha frente, eu me arrependo de ter me alienado, de não ter amado ao meu próximo como manda a minha fé.
A fé que eu tenho.
E hoje então eu faço minha oração, a este Deus tão diferente dos deuses que vejo por ai, eu oro a ele que proteja a minha fé para que não se contamine com a fé dos invejosos, oportunistas, acomodados e medíocres, eu peço a Ele que perdoe a minha falta de fé nestes sujeitos e que coloque no meu caminho uma causa, ainda que pequena, mas que no fim da minha vida me permita olhar para trás e ter a sensação de que a minha vida valeu a pena.
Adriele Goulart
A difícil tarefa de biografar Noam Chomsky
Júlio Ibelli
Entrar em contato com tudo o que diz respeito a Noam Chomsky aparenta ser um privilégio dos bravos indivíduos que lutam para manter a manipulação da mídia o mais longe possível de suas vidas. A próxima encarnação é o que serve de consolo ou maldição para aqueles que não se enquadram no perfil. Isso porque Chomsky é o caso típico de mente brilhante incompreendida em seu próprio tempo.
Após seis anos de troca de correspondências com Chomsky, que começaram em 1991, além de pesquisa paralela, Robert F. Barsky (professor da Universidade de Western Ontário, no Canadá) finalizou o livro Noam Chomsky – A Vida De Um Dissidente, lançado no Brasil pela Conrad Editora em 2005. A obra traça um perfil desde a infância deste que foi um dos grandes ‘bambas’ do meio acadêmico no século passado.
Na verdade, Chomsky foi mais do que isso. Seu nome é um dos dez mais citados em toda a história da literatura científica, ao lado de Marx, Lênin, Shakespeare, Aristóteles, a Bíblia, Platão, Freud, entre outros. Ele é simplesmente um guru para o movimento anti-capitalista contemporâneo. Amado e odiado, Chomsky foi um crítico ferrenho do sinuoso conchavo entre judeus (Israel) e EUA e acabou negligenciado pelos governos dos dois lados. Uma vida de devoção à causa humana que teve início com o estudo da lingüística.
Chomsky nasceu em 1928 na Rússia e é filho de um pai lingüista e de uma mãe ativista. Ele começou os seus estudos em uma instituição com um conceito alternativo, voltada para atender às aptidões pessoais do aluno. Esse tipo de educação só encontrou adeptos no Brasil recentemente, graças à uma congregação religiosa. O ponta pé inicial na vida escolar acabou por moldar a visão de Chomsky a respeito do sistema de ensino tradicional, baseado na delegação de tarefas e busca incessante por resultados. Para ele, uma fábrica onde os estudantes atuam como peças de reposição da engrenagem feita para atender à demanda dos mais ricos.
Aos 10 anos de idade Chomsky escreveu o seu primeiro artigo sobre a Guerra Civil Espanhola, o evento que marcou o início de seu envolvimento com o ideal anarquista, de repulsa contra as táticas capitalistas e o nacionalismo cego. Antes mesmo de entrar na faculdade, isso aos 16 anos de idade, ele já transitava entre os círculos de intelectuais que mais o influenciaram (a leitura de George Orwell, por exemplo, entre uma infinidade de outros autores, era obrigatória).
Foi graças a esses círculos de grandes notáveis do pensamentos que Chomsky desenvolveu todo o seu estudo lingüístico, apoiado sempre na concepção de que esta área do conhecimento estaria intrinsecamente conectada à ideologia humana, daí a associação inseparável do trabalho lingüístico de Chomsky e sua militância política. Quer dizer, anti-política.
Antes de chegar ao Massachusetts Institute of Technology, Chomsky também passou por Cambridge e Harvard. Aos 30 anos ele já tinha escrito o seu nome na história da lingüística com uma série de trabalhos revolucionários que ajudaram a re-escrever esta área essencial do conhecimento humano. Ainda assim, suas publicações eram seguidamente criticadas pelos defensores de teorias mais ortodoxas – devidamente revistas e atualizadas por Chomsky.
O MIT forneceu as condições para que Chomsky consolidasse o seu prestígio acadêmico. Mas o fato de integrar o corpo docente da universidade que fornecia a maioria da tecnologia de guerra aos Estados Unidos foi logo questionado. Chomsky não demorou a responder que mesmo um soro concebido com o intuito de tirar a verdade a força de um espião qualquer, poderia fornecer importantes dados sobre a psique humana para os pesquisadores ‘do bem’.
O que não quer dizer que ele era conivente com a política bélica americana, muito pelo contrário. Chomsky foi preso durante manifestação em frente ao Pentágono contra a Guerra de Vietnã e entrou na lista negra do ex-presidente Richard Nixon. A pressão sobre ele era tanta, que sua mulher Carol foi estudar lingüística caso o marido não pudesse mais sair da cadeia. Os filhos do casal eram constantemente poupados das conversas acerca do que ocorria devido ao posicionamento de Chomsky.
O livro ainda mostra um Noam Chomsky precursor e afinado com a causa dos conflitos entre israelenses e palestinos, isso há cinqüenta anos atrás, o que lhe rendeu diversas críticas apesar de ser judeu e ter se evolvido profundamente com movimentos sionistas renovadores nos Estados Unidos na época de seu ingresso na faculdade. Em certo momento de sua vida, Chomsky preferiu por não ser mais tão explícito com relação aos seus posicionamentos, devido ao desgaste que as críticas geravam. O maio parisiense de 1968, por exemplo, passou sem grandes manifestações de Chomsky. Também porque havia adquirido uma visão mais cética do mundo.
A leitura de A Vida de um Dissidente pode ser cansativa por causa das extensas descrições sobre influências e realizações acadêmicas de Chomsky; um prato cheio para quem é ligado à área da lingüística. Mas é extremamente inspiradora por apresentar o exemplo de toda uma vida dedicada aos estudos e luta contra o status-quo que nos tira o livre arbítrio quando estamos perante governos e mídia.
24/02/2005
Desterro... Vide tbm post abaixo sobre paradoxo... e a Letra Desterro
Assisti a dois filmes que tem haver com este tema, um tema que tem de certa forma me "perseguido" ultima-mente, o primeiro se chama "Exilios", é um bom filme que trata de duas carências, a carência de sentido e a carência de dinheiro mesmo, bom esta é uma das muitas leituras possíveis. O segundo filme é o "Tartarugas Podem Voar" que fala da realidade dos curdos no norte do Iraque, semanas antes da guerra do golfo. Este filme é muito bom e me tocou profundamente, por meio das crianças com cenas fortíssimas de significado, o diretor vai nos desnudando a realidade de um povo sem terra, perseguido por Sadam, suspeito que a realidade de muitos sem terra por este mundo louco nosso. Foi surreal sair deste filme e ver as pessoas se divertindo nas mesas lotadas do barzinho mais próximo, nada contra barzinhos... mas se a vida for só isso, somos muito cegos...
Vamos ver o que achei na nossa louca net...
Exílios
Longa mostra as viagens externas e internas de um jovem casal
Um casal de jovens franceses de origem argelina resolve conhecer a terra de seus pais. Eles atravessam a França e a Espanha deixando que o acaso guie sua viagem. Este é o roteiro de Exílios, de Tony Gatlif, que chega agora ao Brasil. O filme vale pelas belíssimas paisagens e pelo trabalho de Gatlif, que ganhou o prêmio de Melhor Diretor em Cannes 2004. Ele consegue impor toda uma transformação nas relações pessoais por meio da aproximação do Mediterrâneo.
Preste atenção na refinada trilha sonora, que envolve o espectador nesta viagem de autodescoberta e garante o compasso entre a atmosfera dos locais percorridos e o mergulho interior das personagens.
"Tartarugas Podem Voar" exibe crianças curdas no Iraque
Por Duane Byrge
CHICAGO (Hollywood Reporter) - Crianças mutiladas ganham a vida desarmando minas terrestres que vendem a um intermediário, que, por sua vez, ganha a vida vendendo as minas à ONU. É essa a imagem da luta pela sobrevivência num campo de refugiados curdos pouco antes da invasão americana do Iraque, documentada no filme "Tartarugas Podem Voar", estréia da sexta-feira.
O cineasta Bahman Ghobadi faz um retrato doloroso de uma tribo minúscula profanada pelos seguidores violentos de Saddam Hussein, enquanto aguarda a invasão dos soldados norte-americanos. Mas o filme não é mero folheto político ou um documento descritivo de uma situação distante.
O longa-metragem foi vencedor do Hugo de Prata do Festival Internacional de Cinema de Chicago. O diretor fez também "Tempo de Embebedar Cavalos" e "Exílio no Iraque".
O filme pode atrair um público atento simplesmente por seu tema e pela maneira como reafirma a capacidade humana de sobreviver à crueldade extrema.
O campo de refugiados parece um lugar saído do inferno. Numa paisagem árida e rochosa, as barracas são montadas entre crateras, tanques de guerra destruídos e cartuchos de munição.
Mais estranho ainda é que em meio à imundície e à miséria geral, se vêem peças de equipamento de alta tecnologia.
Destas, a mais importante é a antena parabólica que um menino de 13 anos (Soran Ebrahim) conseguiu no mercado negro. O garoto pensa que, tendo acesso aos noticiários norte-americanos transmitidos por cabo, os moradores do acampamento poderão descobrir o que vai acontecer com eles.
O fato de ele tentar encontrar "a resposta" quanto ao destino deles o eleva a uma posição de poder dentro do campo. Apelidado de Parabólica, ele preenche um vazio de liderança num lugar onde os líderes, que parecem da Idade da Pedra, nem sequer sabem o que são os Estados Unidos ou o que está acontecendo em seu próprio país.
Animadas pela coragem de Parabólica, as crianças do campo conseguem sobreviver desarmando minas terrestres. Muitas delas, como o próprio Parabólica, não têm família nenhuma. Seus pais ou parentes foram assassinados por Saddam Hussein, ou então, como é o caso de uma garota, suas vidas emocionais foram marcadas para sempre pela devastação provocada pelo Exército Republicano.
Embora sejam rodadas com equipamentos mínimos, os visuais de Ghobadi são impressionantes: minas terrestres não detonadas, peças de artilharia danificadas, barracas marcadas pelo vento e ferramentas gastas dão a impressão de ter sido desenterradas de diferentes eras de terrorismo.
O fato de o campo de refugiados ser deste mundo é a parte mais assustadora da história.
Graças à fé infantil de Parabólica nas notícias vindas do céu, que ele acredita que irão salvar a todos eles, as crianças do campo conseguem ganhar forças e resistir para sobreviver por mais um dia.
Por meio de sua engenhoca maluca, Parabólica lhes possibilita a esperança de que alguma coisa mágica possa acontecer algum dia: por exemplo, tartarugas poderão voar, ou, o que seria ainda mais improvável, eles algum dia poderão viver em segurança.
www.furto.com.br
Uma nova banda -- nascida dos contatos do ex-rappa MARCELO YUKA, uma banda com uma proposta fortemente política como vcs podem ver abaixo nestes slices de letra que colei aqui, além das ótimas letras temos ótimas participações tbm, como por ex. Mano Chao, Marisa Monte e até do Lider do MST... Eles usam e abusam de batitas eletrônicas e Samples, não é um som orgânico, mas aos poucos eles vão conquistando com suas letras cortantes e desconcertantes ... vide abaixo e boa descoberta.
Henderson
Lutadores sem filosofia, crianças sem esquinas Realidade da portaria, mas só se for pela porta dos fundos De frente pro mar, de costas pro mundo...Tráfico de influência, tráfico de vaidade, tráfico pra ocupar melhor lugar na corte Bem-vindo a Ego City
Amém Calibre 12 O santo que deu fim à humildade Beatificado pelo ódio Neo-liberal como uma Ferrari em frente ao Vidigal Amém Calibre 12 Me ensinaram o que querer Mas não disseram como ter E agora os mesmos olhos que pediam Vão descer Para exigir (2x) E não serão mais complacentes
Onde o bar é um templo e o templo é um bar O medo é mais difícil de tratar sentidos aguçados na escuridão Feridas sem embolço, todos deitados no chão Mental combate
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Latifundiário escravagista ou os dois ao mesmo tempo De norte a sul como pragas Alastrando a fome que acampa em quilombos ambulantes Na beira da pista é morte na pista na lista de morte Dos modernos capitães do mato Dos modernos capitães do mato Na Palestina verde enxadas lutam contra armas Na Palestina verde enxadas lutam contra armas Organizando a necessidade de cantar Uma mística maior É preciso plantar No chão do céu da boca Verbos à flor da pele