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31.7.05

O Pão e Rosas Inglês, não tão politico, mas um denunciador da realidade, alem de muito bonito e bem filmado e com um excelente roteiro, não perca... 

Stephen Frears retrata luta de classes em "Coisas Belas e Sujas" JOSÉ GERALDO COUTO colunista da Folha Dezoito anos depois do filme que lhe deu renome mundial, "Minha Adorável Lavanderia", Stephen Frears volta ao tema dos imigrantes que buscam um lugar ao sol em Londres. Mas a barra, em "Coisas Belas e Sujas", é muito mais pesada. Aqui os personagens, premidos por uma situação social impermeável, vivem na faixa sinistra que vai do subemprego ao submundo do crime. Okwe (Chiwetel Ejifor) é um médico nigeriano que trabalha de dia como chofer de táxi e de noite como recepcionista de hotel, mantendo-se acordado à base de uma erva medicinal. Mora clandestinamente no apartamento da jovem turca Senay (Audrey Tautou), camareira no mesmo hotel em que ele trabalha. Um dia Okwe encontra um coração humano entupindo a privada de um dos quartos do hotel e acaba por descobrir um esquema de tráfico de órgãos. Imigrantes ilegais trocam um rim por um passaporte falso. A partir daí, Frears imbrica habilmente três filmes em um: a trama policial, a denúncia social à maneira de Ken Loach e a história de amor de Okwe e Senay. Se a trama policial, com seu vilão cartunesco --o espanhol Juan "Sneaky", gerente do hotel--, tem algo de fantasioso e inverossímil, o quadro social pintado pelo filme é muito eloquente. Todos os personagens são imigrantes e entre eles se desenvolve uma selvagem luta de classes. Os já estabelecidos, como "Sneaky" e o proprietário turco de uma lavanderia, exploram das mais diversas maneiras os pobres diabos recém-chegados ou acossados pela polícia. A crítica é ácida. O tráfico de órgãos é uma macabra metáfora da lei capitalista da oferta e da procura. A própria imagem central do filme --um coração jogado na privada-- é um retrato nada sutil de uma sociedade em que o sentimento foi descartado. Significativamente, a única cena em que, à exceção da polícia, aparece um inglês "legítimo", é para comprar um rim extraído de um imigrante. E ele ouve de Okwe a frase que vale por um manifesto: "Nós somos as pessoas que vocês não vêem. Somos nós que limpamos suas latrinas, dirigimos seus carros, chupamos seus paus". Apesar da crueza do discurso, Frears paradoxalmente fez um filme elegante, no qual, se há algo a criticar, são determinadas concessões ao padrão narrativo hollywoodiano, com seu estudado equilíbrio entre drama e humor, seu maniqueísmo e sua catarse sentimental. Para o bem ou para o mal, não deixa de ser uma proeza transformar uma história escabrosa num filme de entretenimento. Avaliação:

25.7.05

Imperdívelllll !!!!!!!!!!!!!!!!!!!! 

COM OS OLHOS BEM ABERTOS PROTAGONISTAS - Três cantadeiras cegas da Paraíba fazem a alegoria do Brasil de 2005 Três irmãs cegas que cantam coco e pedem esmolas nas ruas de Campina Grande, na Paraíba, reaprendem a “ver” o mundo ao se tornar, como por encanto, estrelas do cinema nacional e da música popular brasileira. O enredo parece delírio ou conto de fadas, mas é real e vem compor uma alegoria perturbadora sobre um Brasil que, neste 2005, passa pela experiência dolorosa de enxergar, por baixo dos panos, dados incômodos sobre a substância de que é feito. O filme chama-se A pessoa é para o que nasce e acompanha, num misto de documentário e narrativa romanceada, oito anos das vidas das irmãs Regina (ou Poroca), Maria (ou Maroca) e Conceição (ou Indaiá) Barbosa, nascidas respectivamente, em 1943, 1944 e 1950. Desde pequenas, elas conhecem a experiência de cantar em feiras, praças e ruas em troca de moedas de esmola. A constante de vidas furadas pela mendicância atravessa todo o filme com cores de fatalidade, mesmo que entre o início e o fim da historia se documentem a passagem das protagonistas por festivais de world music, a transmutação em “estrelas de cinema”, o contato com astros da MPB, a estréia em CD, visitas a Salvador, São Paulo e Brasília, e até uma condecoração concedida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Conduzida de modo cru, mas extremamente afetivo pelo diretor Roberto Berliner, pelo co-diretor Leonardo Domingues e pela equipe da produtora carioca TV Zero (atuante na produção de documentários, videoclipes e comerciais), a vida das irmãs Barbosa pode provocar primeiras impressões que resvalem pelo melodrama e pela pieguice. Mas não se trata disso – há algo de novo no ar do céu fatalista de A pessoa é para o que nasce, que aparece timidamente (foi visto, nas três últimas semanas, por parcos 7700 espectadores) com cara de filme marcos dos anos Lula. Até por conta de uma das cenas finais, em que as deficientes visuais conhecem o mar e se atiram nele completamente nuas, o longa de estréias de Berliner fixa pontes de contato com o cinema do inevitável Glauber Rocha (1938 – 1981) – que usara o mar como elo entre Deus e o diabo na terra do sol (1964) e Terra em transe (1967). Sem se eximir de responsabilidades, Berliner justifica uma das cenas mais polêmicas do tipo “ame ou odeie”: “Elas manifestaram várias vezes a vontade de conhecer o mar. Eu achava que a melhor maneira seria sem roupas, já que o contato físico é muito importante para elas. Ali estão três mulheres fora de qualquer padrão de beleza que se vende em publicidade, cinema e tevê. A cena mostra um pouco como estamos todos viciados numa maneira de ver as coisas. É também um pouco o símbolo de toda a invasão do documentário na vida delas”. Se tal cena coloca indefesas essas mulheres que não possuem o registro visual de sua auto-imagem e das imagens dos outros, o viés que prevalece não é o de sublinhar a cruel dependência a que estão condicionadas. Opõe-se, nisso, à impotência autocrítica elaborada por Glauber em Terra em transe, quando o intelectual (e alter ego) vivido por Jardel Filho aparece tapando a boca de um personagem que diz ser “o povo”. Não. As três artistas do povo retiram delicadamente a mão do “intelectual” que tapava suas bocas. Invadem o filme com sua retórica e o levam à convulsão durante conturbada visita a São Paulo, para um show no Festival PercPan, em 2000. Perspicaz, Maroca, a mais articulada e dotada de liderança das três, preanuncia o temporal: “Agora vou para São Paulo olhar os paulistas, que eu nuca vi...Quer dizer, não vejo pra ver, mas...Presto atenção, né?” Após “ver” os barulhos da Avenida Paulista, Maroca trata o anfitrião Gilberto Gil com aspereza diante do público: reclama que o microfone capta a voz do músico, mas não as delas. O que acontece a seguir revoluciona o filme: no hotel, Maroca faz Berliner entender que está apaixonada por ele – o diretor sai detrás das cortinas para virar personagem do drama. Berliner sabe que corresponde, ao seu modo, àquele amor, evidência que transborda quando justifica sua dedicação, citando com fascínio “o bom humor, a maneira pela qual se organizam para se defender das hostilidades dos que as cercam, a inteligência, a música”. Mas ali, no calor da hora, rechaça Maroca, desconjuntado, e ouve Indaiá contar que também o ama, “mas é como amigo’. É tarde: as “indefesas” já tomaram conta da narrativa, virando o leme de seus destinos e do filme. O ritmo se precipita e Maroca confessa que tem mágoa das irmãs que teriam se relacionado sexualmente com seu primeiro marido, também cego. As relações se abalam – a equipe se distancia; quando volta, flagra Maroca só em casa de Poroca e Indaiá mendigando na rua, sem os ganzás e a cantoria de antes. Em entrevista telefônica à reportagem, as três reelaboram o discurso com o qual hoje percorrem o país em shows de lançamento. Ácida e bem-humorada, Maroca reflete sobre o destino, valor e instituições arraigadas: “Pelo fato de eu me ver com uma bacia na mão pedindo esmola, não sabia que podiam me dar valor. Mas estão dando. Acho que antes não sabiam, ninguém sabia, nem eu nunca pensava ser estrela de cinema. Eu era feliz e não sabia. Pensava que ia ficar assim toda a vida. No filme, tem aquilo: a pessoa é para o que nasce. Mas eu não sabia que tinha nascido para ser estrela de cinema. Pensei que tinha nascido para uma coisa somente”. Isto ela não diz, mas é de sua autoria a frase pescada para título, “a pessoa é para o que nasce”. Questionada pelo repórter, ela ri envergonhada: “Foi, foi mesmo”. Há três semanas em cartaz em poucas salas de São Paulo, Rio, Brasília e Fortaleza, A pessoa é para o que nasce tem recebido críticas ressabiadas, que em geral, reprovam aspectos éticos da exposição crua de mulheres no documentário. Berliner rebate, entrelaçando questões caras aos extremos opostos da crítica e de suas personagens: “É muito difícil ver as ceguinhas em outro papel que não as de mendigas pedintes nas ruas. Quando ocupam um lugar diferente do que ‘deveriam’, choca. Mas poucos jornalistas se chocaram ao vê-las na rua pedindo esmolas de novo. O filme está sempre no limite”. A alegoria perpassa um país que não ousaria associar supostas “mesadas”, subornos e chantagens (emocionais) entre políticos com atos de mendicância. Esses são sintetizados de modo cortante por Indaiá: “Através do documentário, estão convidando agente para todo canto. Antes a gente só vivia em Campina Grande, no sol da rua, em troca de esmola. Tinha dia que a gente só faltava chorar no meio da rua, porque os gaiatos ficavam dando tapa na cabeçada gentes, puxando o cabelo. A gente ficava sozinha, os gaiatos faziam palhaço da gente. Uma vida humilhada, massacrada”. Poroca fala de receios quanto ao futuro: “se a gente voltar para a rua agora, o povo vai dizer ‘ainda precisa pedir, não enricaram não?’ Sempre dizem ‘cadê o dinheiro do filme, cadê que deram a vocês?’ Sabe o que digo? ‘Eles não tem capacidade de enrolar a gente, eles não são vagabundos que nem vocês. Eles são gente de capacidade, de categoria, gente de que o Brasil precisa. Não é vagabundo nem cafajeste que nem vocês.”’ O limiar ético permeia as relações entre produtores e “atores”. Quando ganhamos um prêmio legal, compramos uma casa para elas, que depois foi para nas mãos de familiares. Hoje, elas estão orando de favor a aluguel. Não temos como interferir, não podemos tutelá-las”, diz Berliner, descrevendo a relação das três com parentes não cegos, assim resumida no filme por Maroca: “Trabalha o feio para o bonito comer”. A TV Zero diz que redistribuirá lucros de bilheteria e reverterá às três 50% dos direitos autorais do álbum com a trilha sonora do filme. O CD duplo (R$ 33,90 no site www.submarino.com.br) é um espetáculo à parte. O primeiro volume contém falas do filme e temas populares interpretados pelo trio. O segundo é um surpreendente projeto coletivo de releituras produzidas por Lula Queiroga e interpretadas em pique de pop, rock, rap, samba, etc., por Lenine, Teresa Cristina, Pato Fu, Silvério Pessoa, Lirinha, B Negão, Otto e grande elenco. O jovem grupo pernambucano Mombojó mistura universos e recombina coco, rock, jovem guarda e música brega em Abre a janela, a mais sofisticada releitura do CD – e também a preferida de Maroca. A canção mais contundente é Moço me dê uma esmola, em que as três suplicam: Ô moço me dê uma esmola/ não queira dizer que não/ favoreça a quem lhe pede/ está chegada a ocasião/ que você tem a luz dos olhos/ nós vive na escuridão. Do outro lado do espelho Fausto Fawcett subverte esse tema,vestindo num rap o terno roto de um mendigo pós - glauberiano: Aí, não tem essa de pobre coitado/ pobre coitado é o cacete, eu não sou pobre coitado/ eu como, eu bebo, eu trepo, eu leio, eu danço, eu amo, eu odeio/ eu tenho sentimento geral igual a você, ‘rapá’, / só que no meio da rua. Vai nessa trilha também a cena final do filme. Incluída às pressas depois de sua finalização, documenta uma cerimônia de concessão de medalhas ao mérito cultural e reúne no palco de poder de Brasília uma turma heterogênea que inclui Gilberto Gil, índios, Pelé, Maurício de Souza, as “Ceguinhas de Campina Grande” e... Luiz Inácio Lula da Silva. Assim Maroca descreve o encontro: “Ai, meu deus! Foi a surpresa maior do mundo ter falado com o presidente. Tem gente que diz que nunca falou com o presidente. Nós já falamos. Já tem gente com inveja desse filme, não posso nem falar o nome que tenho raiva”. E avalia Lula em si: “Eu acho bom. Ele nunca me deu nada, mas também não me fez mal”. Maroca, Poroca e Indaiá ressurgem, ali e na estréia do filme neste junho de 2005, como símbolos exuberantes de um país convulso, de um governo que se envolve em escândalos seculares, enquanto reivindica autonomia a grupos sociais que até aqui têm sido historicamente tratados como inválidos e incapazes. Sem enxergar fisicamente, as três dão piparotes de lucidez nos espectadores que aceitem se deixar envolver por três mendigas cegas (segundo conta o co-diretor, seu pai disse que jamais veria u filme como esse, se não fosse de seu filho). Tornam-se protagonistas simbólicas de um país que subitamente se vê vazado pelo diálogo entre cegueira e visão (aquele que vem, no mínimo, dos tempos gregos de Édipo): o mito reaparece hoje no cinema, na Globo (cuja novela América possui um núcleo de cegos, apoiado pelo “rei” Roberto Carlos, pai de um deficiente visual nascido na semana de decretação do AI-5) e no Congresso Nacional (de onde o país vive o trauma de se ver frente a frente com o que talvez sempre enxergasse sem saber). Enquanto pululam por todo o espectro político frases apocalípticas como “o governo acabou” e “O Brasil acabou”, Maroca ou Maria Barbosa conta como se sente internamente, diante de tanta transformação: “A vida não pode mudar assim, de repente. Faz só oito anos que estão fazendo o filme, não é obrigado mudar assim de vez. Vai mudando aos poucos”. E concede, generosa, sua receita para manter acesa a tarefa hercúlea da sobrevivência: “O filme é grande, mas a história da gente não está nem no começo ainda. Agora é o começo, é o começo agora”. , 29 de Junho de 2005 saiba mais... http://www.apessoa.com.br/pt/articles.php

2.7.05

Infelizmente a ultima de Jean sobre Lenine, vamos botar uma pressão, quem sabe não apareçam mais ??? 

“nosso passado me acena” Não é de hoje que a propaganda televisiva no Brasil é considerada uma das melhores do mundo. Apesar do uso indevido do corpo da mulher, a criatividade é notória e, não raro, rende boas risadas. O único “porém” é que as propagandas existem para vender produtos – detalhe que, quando confrontado com a realidade econômica brasileira, pode vir a gerar certos problemas decorrentes da impossibilidade de se obter aquilo cujo desejo foi despertado. Nesse sentido, não é à toa que uma das músicas do grupo de rap “Racionais MC´s” entende a propaganda como um dos veículos que o demônio usa para corromper o carácter das pessoas pobres. Liberta-se, portanto, da sua influência é libertar-se das armadilhas do “sistema”... Sim, é uma visão muito radical... e nós, da classe média, encaramos as propagandas de maneira muito mais lúdica e isenta dessas influências nefastas... Afinal de contas, não há nenhuma prova científica entre a relação existente entre essa aparente frustação dos jovens solteiros e o “dia dos namorados” - uma data, a propósito, fundamentalmente comercial no Brasil. No entanto, o autor desta coluna não saiu ileso do bombardeio promovido pelas propagandas dos últimos dias e, para sua vergonha, deixou-se influenciar ao ponto de escolher o amor como tema para este artigo! Tudo bem: parte disso é mentira pois, na verdade, o motivo é ainda mais baixo: estou apenas aproveitando-me da data para poder tratar de mais duas músicas do último CD de Lenine. A propósito: não estou fazendo propaganda!... “Todas elas juntas num só ser”: esse é o título de uma canção super-animada com uma letra que é verdadeira poesia - tanto na forma quanto no conteúdo. Em ordem alfabética, o compositor enumera as musas da MPB e de outros estilos musicais relacionados para, a cada refrão, dizer que ele já não canta (toca, eleje ou elogia) essas musas pois “só uma reina em em meu coração” : uma que é “todas elas juntas num só ser”. E, além dessa letra brilhante, a própria música vai crescendo de intensidade como um enamorado que aspira a saciar o seu desejo amoroso. O mais curioso, porém, é que Lenine já desfruta desse amor há vinte e seis anos! E aí se encontra um aspecto bastante interessante: os versos falam de um amor maduro que sobreviveu às provações do tempo e não de um amor apenas idealizado. Isso sim é o que se poderia chamar de um “romantismo realista”... No entanto, é na música “Anna e eu” que essa longa história/vivência amorosa autobiográfica torna-se mais evidente. Ao contrário da outra música, esta já tem um ritmo mais lento – sendo finalizada com um tom mais inconclusivo o que, a meu ver, reflete a própria concepção do que deve ser uma história de amor... Para se ter uma idéia do conteúdo dessa música, sem ouví-la, pode-se imaginar uma longa caminhada em direção a um monte: depois de horas, chega-se ao topo e pode-se então ver o que existe do outro lado do horizonte. Porém, mais do que isso, você olha pra trás... Sabe-se que foi justamente esse “olhar pra trás” que transformou a mulher de Ló numa estátua de sal quando ela deixava a cidade de Sodoma, que estava sendo destruída pela ira de Deus. Trata-se de uma lição presente no primeiro livro da Bíblia (Gênesis 19:26) e que se repete em passagens dos evangelhos como, por exemplo, nesta: “Jesus lhe respondeu: aquele que põe a mão no arado e olha pra trás não está apto para o Reino de Deus”. (Lucas 9:62) Assim, a partir desse ensinamento de Cristo, torna-se mais claro o significado do gesto – de “olhar pra trás” - que a mulher de Ló fez ao sair de Sodoma: com isso, ela lamentava o que estava sendo deixado para trás em vez de olhar para a história futura que Deus estava lhe dando a chance de construir. Entretanto, quando o autor da música “Anna e eu” diz que “olhou pra trás” ele, na verdade, o faz como se estivesse “invertendo o tempo”. Ou seja, ele está olhando pra história que eles (Anna e eu) já construiram juntos como se esse fosse o horizonte que ele tem a frente; e isso o incentiva a “arriscar bem mais”, a andar para “chegar mais longe e de lá de onge me ver feliz”. O apóstolo Paulo dizia (1 Co 13) que entre os dons da fé, da esperança e do amor, o maior era o amor. A partir desta música de Lenine, eu finalmente entendi a razão: é porque do amor surge não só a esperança de um futuro como, também, a fé de que ele virá... Jean Carlo Faustino Sociologia / UNICAMP

Meu amigo Jean e seus ótimos textos.... 

“Eis-me aqui” “Precário, provisório, perecível \ falível, transitório, transitivo”: eis aqui os primeiros versos da música “vivo”, de Lenine, sobre a qual pretendia me deter no último artigo mas cujo espaço permitiu fazer apenas uma introdução. Relembrando o que havia dito no artigo anterior: a primeira estrofe da música ressalta a transitoriedade da vida do ser humano bem como a falibilidade do mesmo. Claro... todos nós gostaríamos ser grandes pessoas – seja no plano público ou no privado. Aspiramos que nossa vida seja significativa para alguém ou para nós mesmos e que isso, preferencialmente, esteja associado a grandes feitos porque como já cantava Caetano Veloso: “gente foi feita pra brilhar e não pra passar fome”. Mas, freqüentemente se vê o contrário: as pessoas não somente passam fome como, também, se deixam envolver em situações que revelam o seu lado “impuro, imperfeito, impermanente” - como diz a segunda estrofe da música: “impuro, imperfeito, impermanente \ incerto, incompleto, inconstante instável, variável, defectivo \ eis aqui um vivo” Sim, sim... tudo bem... eu concordo contigo: essas qualidades não se aplicam igualmente a todo ser humano... Afinal de contas, alguns sabem dissimular seus defeitos muito melhor que outros e, convenhamos, não precisamos também ficar expondo nossas entranhas pra todo mundo... Entretanto, algumas pessoas parecem não ter muito problema com isso. Vejamos, o caso do famoso rei Davi, da Bíblia, a partir de dois cânticos/salmos que ele escreveu: o de número 6 e o de número 8. Ambos carregam em si a mesma perspectiva existencial da música “vivo” de Lenine , ou seja: ambos falam sobre a transitoriedade da vida; sobre a prequenez do homem diante do universo; sobre as lutas que se tem que travar para se manter vivo (algo que se torna mais evidente na terceira estrofe da música em questão); e ambos expressam também o desejo de se continuar vivo apesar de tudo. “o vivo afirma firme afirmativo: o que mais vale a pena é estar vivo” Sim, pois: “na morte não há recordação de ti [Deus]; no sepulcro quem te dirá louvor?” [Salmos 6:5] A vida é, portanto, a única oportunidade que temos de manifestar a gratidão por esse dom que recebemos do criador. Infelizmente, as misérias – ou, às vezes, as riquezas - nos levam a esquecer disso. Por fim, Salmos 8 – assim como a última estrofe da música de Lenine – parecem ir de encontro com aquilo que o sociólogo Paul Freston chamou de “mandato cultural”: o de continuar a criar o mundo – o que, acrescento eu, implica em continuar a nos criarmos também, ou seja, a aperfeiçoar esse ser inacabado que é o homem. Resta, porém, saber se conseguiremos responder com as palavras usadas por inúmeros profetas que atenderam ao chamado de Deus dizendo: “eis-me aqui”. “não feito, não perfeito, não completo não satisfeito, nunca não contente não acabado, não definitivo eis aqui um vivo eis-me aqui” Jean Carlo Faustino Sociologia / UNICAMP

Acho este diálogo do EDUKATORS muito legal... 

"- Quantas horas por dia voce trabalha? - 13, 14 horas tranquilamente. - O que faz com tanto dinheiro? Voce acumula coisa. Coisas grandes e caras. Carrões, mansões, um iate. Um monte de coisas pra dizer: "sou um macho alfa". Não vejo outra razão. Nem tem tempo pra curtir o seu iate. Então, por que sempre quer mais? - Vivemos numa democracia. Não devo explicações sobre meus bens. Paguei por eles. - Errado. Vivemos numa ditadura do capital. Voce roubou tudo que possui. - Posso bancar mais coisas porque trabalho mais. Tive as idéias certas na hora certa. E além disso, não sou o único. Todos têm chances iguais. - Voce daria um ótimo político. No sudeste da Ásia, muitos trabalham até 14 horas por dia e não têm mansões. Ganham 30 euros por mês. Também podem ter boas idéias, mas não conseguem pagar um ônibus à cidade vizinha. - Descupe por eu não ter nascido na Ásia. - Mas ainda assim pode tornar suportável a vida lá. O Primeiro Mundo deveria perdoar a dívida do Terceiro Mundo. É só 0,01% do PIB! Por que não fazem isso? - Seria um colapso do sistema financeiro mundial. -Voces os querem pobres! Pra poder controlá-los, forçá-los a vender seus produtos a preços ridículos. - Como voce sabe? - Pelo mesmo motivo que voce não cancelou a dívida. - Isso é absurdo! - Não. É a regra básica do sistema: exaurir todos até o limite pra que não possam reagir. - Não é verdade. Claro, precisamos melhorar as coisas. Proteção ambiental, aumentar os preços do produtor, mas o sistema não vai mudar. - Por que não? - É da natureza humana querer ser melhor que os demais. Todo grupo elege um líder. E a maioria só fica feliz quando compra algo novo. - "Feliz"? Acha que as pessoas são felizes? Ei, abra os olhos. Saia do seu carro e ande pelas ruas! Elas parecem felizes ou animais assustados? Veja susas salas de estar. Todas grudadas na TV ouvindo zumbis chiques falarem sobre uma felicidade perdida. Dirija pela cidade. Verá a imundice, a superpopulação, as massas feito robôs nas escadas rolantes das lojas de departamento. Ninguém conhece ninguém. Acham que a felicidade está ao alcance, mas ela é inalcançavel, porque voce a roubou. É a vida. Voce sabe muito bem. Mas tenho uma notícia pra voce, executivo: a máquina superaqueceu. Somos só os precursores, sua época está pra acabar. Enquanto voce surfa na tecnologia, outros sentem ódio. Como crianças das favelas vendo filmes de ação americanos. É só o começo. Haverá mais. Mais casos de insanidade, serial killers, almas destruídas, violência gratuita. Não pode sedar todo mundo com game shows e shoppings, e os antidepressivos não vão funcionar pra sempre. O povo está cansado da merda do seu sitema. - Admito que há alguma verdade no que falou, mas sou o bode expiatório errado. Eu jogo o jogo, mas não fiz as regras. - Não importa quem inventou a arma, e sim quem puxa o gatilho... Não é tão simples. E voce não pode se eximir."

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