30.9.05
Desterro... Vide tbm post abaixo sobre paradoxo... e a Letra Desterro
Assisti a dois filmes que tem haver com este tema, um tema que tem de certa forma me "perseguido" ultima-mente, o primeiro se chama "Exilios", é um bom filme que trata de duas carências, a carência de sentido e a carência de dinheiro mesmo, bom esta é uma das muitas leituras possíveis. O segundo filme é o "Tartarugas Podem Voar" que fala da realidade dos curdos no norte do Iraque, semanas antes da guerra do golfo. Este filme é muito bom e me tocou profundamente, por meio das crianças com cenas fortíssimas de significado, o diretor vai nos desnudando a realidade de um povo sem terra, perseguido por Sadam, suspeito que a realidade de muitos sem terra por este mundo louco nosso. Foi surreal sair deste filme e ver as pessoas se divertindo nas mesas lotadas do barzinho mais próximo, nada contra barzinhos... mas se a vida for só isso, somos muito cegos...
Vamos ver o que achei na nossa louca net...
Exílios
Longa mostra as viagens externas e internas de um jovem casal
Um casal de jovens franceses de origem argelina resolve conhecer a terra de seus pais. Eles atravessam a França e a Espanha deixando que o acaso guie sua viagem. Este é o roteiro de Exílios, de Tony Gatlif, que chega agora ao Brasil. O filme vale pelas belíssimas paisagens e pelo trabalho de Gatlif, que ganhou o prêmio de Melhor Diretor em Cannes 2004. Ele consegue impor toda uma transformação nas relações pessoais por meio da aproximação do Mediterrâneo.
Preste atenção na refinada trilha sonora, que envolve o espectador nesta viagem de autodescoberta e garante o compasso entre a atmosfera dos locais percorridos e o mergulho interior das personagens.
"Tartarugas Podem Voar" exibe crianças curdas no Iraque
Por Duane Byrge
CHICAGO (Hollywood Reporter) - Crianças mutiladas ganham a vida desarmando minas terrestres que vendem a um intermediário, que, por sua vez, ganha a vida vendendo as minas à ONU. É essa a imagem da luta pela sobrevivência num campo de refugiados curdos pouco antes da invasão americana do Iraque, documentada no filme "Tartarugas Podem Voar", estréia da sexta-feira.
O cineasta Bahman Ghobadi faz um retrato doloroso de uma tribo minúscula profanada pelos seguidores violentos de Saddam Hussein, enquanto aguarda a invasão dos soldados norte-americanos. Mas o filme não é mero folheto político ou um documento descritivo de uma situação distante.
O longa-metragem foi vencedor do Hugo de Prata do Festival Internacional de Cinema de Chicago. O diretor fez também "Tempo de Embebedar Cavalos" e "Exílio no Iraque".
O filme pode atrair um público atento simplesmente por seu tema e pela maneira como reafirma a capacidade humana de sobreviver à crueldade extrema.
O campo de refugiados parece um lugar saído do inferno. Numa paisagem árida e rochosa, as barracas são montadas entre crateras, tanques de guerra destruídos e cartuchos de munição.
Mais estranho ainda é que em meio à imundície e à miséria geral, se vêem peças de equipamento de alta tecnologia.
Destas, a mais importante é a antena parabólica que um menino de 13 anos (Soran Ebrahim) conseguiu no mercado negro. O garoto pensa que, tendo acesso aos noticiários norte-americanos transmitidos por cabo, os moradores do acampamento poderão descobrir o que vai acontecer com eles.
O fato de ele tentar encontrar "a resposta" quanto ao destino deles o eleva a uma posição de poder dentro do campo. Apelidado de Parabólica, ele preenche um vazio de liderança num lugar onde os líderes, que parecem da Idade da Pedra, nem sequer sabem o que são os Estados Unidos ou o que está acontecendo em seu próprio país.
Animadas pela coragem de Parabólica, as crianças do campo conseguem sobreviver desarmando minas terrestres. Muitas delas, como o próprio Parabólica, não têm família nenhuma. Seus pais ou parentes foram assassinados por Saddam Hussein, ou então, como é o caso de uma garota, suas vidas emocionais foram marcadas para sempre pela devastação provocada pelo Exército Republicano.
Embora sejam rodadas com equipamentos mínimos, os visuais de Ghobadi são impressionantes: minas terrestres não detonadas, peças de artilharia danificadas, barracas marcadas pelo vento e ferramentas gastas dão a impressão de ter sido desenterradas de diferentes eras de terrorismo.
O fato de o campo de refugiados ser deste mundo é a parte mais assustadora da história.
Graças à fé infantil de Parabólica nas notícias vindas do céu, que ele acredita que irão salvar a todos eles, as crianças do campo conseguem ganhar forças e resistir para sobreviver por mais um dia.
Por meio de sua engenhoca maluca, Parabólica lhes possibilita a esperança de que alguma coisa mágica possa acontecer algum dia: por exemplo, tartarugas poderão voar, ou, o que seria ainda mais improvável, eles algum dia poderão viver em segurança.
27.9.05
FURTO--Frente Urbana de Trabalhos Organizados
www.furto.com.br
Uma nova banda -- nascida dos contatos do ex-rappa MARCELO YUKA, uma banda com uma proposta fortemente política como vcs podem ver abaixo nestes slices de letra que colei aqui, além das ótimas letras temos ótimas participações tbm, como por ex. Mano Chao, Marisa Monte e até do Lider do MST... Eles usam e abusam de batitas eletrônicas e Samples, não é um som orgânico, mas aos poucos eles vão conquistando com suas letras cortantes e desconcertantes ... vide abaixo e boa descoberta.
Henderson
Lutadores sem filosofia, crianças sem esquinas Realidade da portaria, mas só se for pela porta dos fundos De frente pro mar, de costas pro mundo...Tráfico de influência, tráfico de vaidade, tráfico pra ocupar melhor lugar na corte Bem-vindo a Ego City
Amém Calibre 12 O santo que deu fim à humildade Beatificado pelo ódio Neo-liberal como uma Ferrari em frente ao Vidigal Amém Calibre 12 Me ensinaram o que querer Mas não disseram como ter E agora os mesmos olhos que pediam Vão descer Para exigir (2x) E não serão mais complacentes
Onde o bar é um templo e o templo é um bar O medo é mais difícil de tratar sentidos aguçados na escuridão Feridas sem embolço, todos deitados no chão Mental combate
Do Ai 5 ao 11 de Setembro chileno Do Sendeiro Luminoso Aos filhos encapuzados de Sandino Depois de tantos planos tramados Nas pastas de Kissinger E em tantas fardas cegas Que continuam a temer uma terra Afro-latina e Ameríndia Tão sugada quanto resistente Tão sugada quanto resistente Democracia sem dentes é o nosso presente Fingindo não ter mais senhor... A tão usada foto de Che ainda tem força pra sugerir que sempre é hora de sermos mais inteiros Todos de baixo do mesmo sombrero
Comando Vermelho, Comando G8, Terceiro Comando Comando Banco Mundial, BID, PCC, FMI, Amigos dos amigos The enemy of the enemy Comando dos comandos, fronteiras das fronteiras De Washington à Síria, da Maré à Fazendinha Cuidado: Onde há fumaça há outro fogo! E quem controla esse jogo
Um nordestino de nome Jesus Procurado noite e dia em São Paulo Hidro-caminhões Cubanos Tentando achar, algo que possivelmente irão perder Em Boca Raton Turcos na Alemanha Um Palestino servindo café em Israel Afro-asiáticos nas ruas de Manhattan E mesmo assim ainda é difícil, vê um beijo Multiracial em Hollywood O mundo migra, e dá de cara com fronteiras As chaves são as mesmas!
As vítimas não encontradas somos todos nós Que não demos adeus nem rezamos nos cemitérios clandestinos da justiça
Latifundiário escravagista ou os dois ao mesmo tempo De norte a sul como pragas Alastrando a fome que acampa em quilombos ambulantes Na beira da pista é morte na pista na lista de morte Dos modernos capitães do mato Dos modernos capitães do mato Na Palestina verde enxadas lutam contra armas Na Palestina verde enxadas lutam contra armas Organizando a necessidade de cantar Uma mística maior É preciso plantar No chão do céu da boca Verbos à flor da pele